sábado, 5 de maio de 2012

Adeus

Se os vivos dizem adeus
E a paisagem a vista se desmancha
Que fazer quando, insone,
O passado quer erguer monumento
E o que nem veio quer pedir alento no coração?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ela


Ela chegou de Vênus, saiu de órbita
Caiu em tua porta, colorida
E como de costume observaste
Com o teu olho mágico que vê em parte

Enquanto ela brilhava distraída
Julgavas saber tudo sobre os astros
Mas não sabias nada sobre ela
Inevitavelmente gravitavas

Cantaste tuas conquistas sobre-humanas
Numerosas idéias, emolduradas
Exibiste orgulhoso fotografias
Em sépia ou desbotadas, história pálida

Ela chegou de Vênus, colorida
Tirando-te do centro, distraída
E transformou tua coleção de espelhos
Em um caleidoscópio imaginário

sábado, 15 de janeiro de 2011

Em toda parte

Tudo o que pode fazer recordar
Um lugar, uma canção, um cheiro
Um bilhete, uma bagana no cinzeiro
A mensagem que não apaguei

Pode trazer o esboço do riso
Ou deixar os olhos mareados
Levar para longe no tempo e no espaço
Com olhos fechados ou mirando o vazio

Partilhamos, às vezes
Tornamo-nos cúmplices
Entre olhos sabemos
Elas estão aqui

Passar, guardar, querer estar
E às vezes querer também libertar-se delas
Quando são tiranas, incansáveis
E perturbam até o sono

Ai as lembranças...
Elas não dormem
São oníricas
E quando parecem repousar
Transportam-me para um tempo que não vivi

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alpargatas para recordar

Vou calçar minhas alpargatas para não esquecer que andei pelos (des)caminhos do extremo sul. As cordas vão estalar e meus pés irão transpirar. Bah! E o que importa? Não sou bagual ou prenda, mas prefiro que o calor derreta meus pés a deixar escapar as lembranças.

Larissa Medeiros
21/10/2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

PALAVRA PUNHAL

Foi para espalhar aos quatro cantos
Para que todos apontem, comentem, sintam pena
O grande público,
As cortinas escancaradas
O espetáculo

Olhem! Olhem!
As chagas em flor
Rubras e carnívoras
Devorando qualquer gota de felicidade
E todo esboço de sorriso que não seja nervoso

É para emudecer e recordar a dor mais aguda
O sabor mais ácido
Com o olhar petrificado e fosco
Como o de um pedaço de carne inerte e sem vida

Palavra punhal em seu grande ato
Que dilacera e mortifica
Que quer latejar e tirar o sono
Oferenda preciosa nesse dia sacro de compaixão
(28/09/2010)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Qualquer dia

Você não vem, não chega
E eu aqui a esperar
Roendo o esmalte vermelho que passei
Coisa de mulher pra você gostar

Cansei dessa partida
E agora estou decidida
Não! Não vou mais
Arrastar-me nas horas
Esperando teus sinais

Quero inventar novos amores
Passeios, cinemas, torpores
Mil chopes pra distrair

E quando menos esperar
Nem sequer irei lembrar
Das noites de sono perdidas por ti

Pode anotar
Não vai ter colher de chá
E vou pintar as unhas de outra cor
Qualquer dia

Mas queria eu acreditar
Nas promessas que faço
E cantarolar "Vou deitar e rolar"
Ao ouvir teus passos a me seguir

domingo, 9 de maio de 2010

Enigma

Nem o signo poderá prever
Ou a palavra descrever
Capturo-te em fragmentos
Pois me escapam os momentos
Exatos de te perceber

Detenho-me em interstícios
Comprimindo-me em orifícios
Atiro-me em precipícios
Mergulho em todos os vícios

Na ânsia de te seguir
Não canso de repetir
Na ânsia de te encontrar
Não canso de me perder

Quando descubro em ti lógica
Desapareces como mágica