A vontade é de escrever-te todos os poemas
Até a tua desaparição é um triunfo
Como não querer ofertar-te todas as honras?
Quando te vais nos deixa ainda sob teus efeitos
Emudecidos e esperando que algo aconteça...
Afinal o que és?
Um Deus austero que nos castiga às vezes quando te escondes?
Ou bondoso que nos põe em comunhão para contemplar-te?
Ou serás satã ardendo em fogo?
Despertando o egoísmo dos que acham que podem possuir-te
Para num capricho dar-te a pessoa amada
Ah se eu pudesse tomar um barco
E alcançar-te bem aí onde te deitas...
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
O Relógio
Caminhando em círculos
Os ponteiros impassíveis
Com seus ruídos discretos
Seguem incessantes
Lembrando a todo instante
Está passando!
Está passando!
Caminhando em círculos
Os ponteiros impassíveis
Com seus ruídos discretos
Seguem incessantes
Lembrando a todo instante
Está chegando!
Está chegando!
Os ponteiros impassíveis
Com seus ruídos discretos
Seguem incessantes
Lembrando a todo instante
Está passando!
Está passando!
Caminhando em círculos
Os ponteiros impassíveis
Com seus ruídos discretos
Seguem incessantes
Lembrando a todo instante
Está chegando!
Está chegando!
Maio/2006
terça-feira, 22 de maio de 2012
Primeiro Verão
E despontou no horizonte
Diferente de todas as manhãs
Chegou veloz como se tivesse feito
Algum movimento
Só para cruzar mais rápido
A linha do equador
E alcançar um pedaço
Entre coração e pensamento
Sem avisar trouxe um calor
Que aqueceu os mares
E desabrochou as flores
Começava mais cedo
O primeiro verão
sábado, 5 de maio de 2012
Adeus
Se os vivos dizem adeus
E a paisagem a vista se desmancha
Que fazer quando, insone,
O passado quer erguer monumento
E o que nem veio quer pedir alento no coração?
E a paisagem a vista se desmancha
Que fazer quando, insone,
O passado quer erguer monumento
E o que nem veio quer pedir alento no coração?
terça-feira, 1 de maio de 2012
Ela
Ela chegou de Vênus, saiu de órbita
Caiu em tua porta, colorida
E como de costume observaste
Com o teu olho mágico que vê em parte
Enquanto ela brilhava distraída
Julgavas saber tudo sobre os astros
Mas não sabias nada sobre ela
Inevitavelmente gravitavas
Cantaste tuas conquistas sobre-humanas
Numerosas idéias, emolduradas
Exibiste orgulhoso fotografias
Em sépia ou desbotadas, história pálida
Ela chegou de Vênus, colorida
Tirando-te do centro, distraída
E transformou tua coleção de espelhos
Em um caleidoscópio imaginário
sábado, 15 de janeiro de 2011
Em toda parte
Tudo o que pode fazer recordar
Um lugar, uma canção, um cheiro
Um bilhete, uma bagana no cinzeiro
A mensagem que não apaguei
Pode trazer o esboço do riso
Ou deixar os olhos mareados
Levar para longe no tempo e no espaço
Com olhos fechados ou mirando o vazio
Partilhamos, às vezes
Tornamo-nos cúmplices
Entre olhos sabemos
Elas estão aqui
Passar, guardar, querer estar
E às vezes querer também libertar-se delas
Quando são tiranas, incansáveis
E perturbam até o sono
Ai as lembranças...
Elas não dormem
São oníricas
E quando parecem repousar
Transportam-me para um tempo que não vivi
Um lugar, uma canção, um cheiro
Um bilhete, uma bagana no cinzeiro
A mensagem que não apaguei
Pode trazer o esboço do riso
Ou deixar os olhos mareados
Levar para longe no tempo e no espaço
Com olhos fechados ou mirando o vazio
Partilhamos, às vezes
Tornamo-nos cúmplices
Entre olhos sabemos
Elas estão aqui
Passar, guardar, querer estar
E às vezes querer também libertar-se delas
Quando são tiranas, incansáveis
E perturbam até o sono
Ai as lembranças...
Elas não dormem
São oníricas
E quando parecem repousar
Transportam-me para um tempo que não vivi
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Alpargatas para recordar
Vou calçar minhas alpargatas para não esquecer que andei pelos (des)caminhos do extremo sul. As cordas vão estalar e meus pés irão transpirar. Bah! E o que importa? Não sou bagual ou prenda, mas prefiro que o calor derreta meus pés a deixar escapar as lembranças.
Larissa Medeiros
21/10/2010
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