quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Relógio

Caminhando em círculos
Os ponteiros impassíveis
Com seus ruídos discretos
Seguem incessantes
Lembrando a todo instante
Está passando!
Está passando!

Caminhando em círculos
Os ponteiros impassíveis
Com seus ruídos discretos
Seguem incessantes
Lembrando a todo instante
Está chegando!
Está chegando!

                        Maio/2006

terça-feira, 22 de maio de 2012

Primeiro Verão


E despontou no horizonte
Diferente de todas as manhãs
Chegou veloz como se tivesse feito
Algum movimento
Só para cruzar mais rápido
A linha do equador
E alcançar um pedaço
Entre coração e pensamento
Sem avisar trouxe um calor
Que aqueceu os mares
E desabrochou as flores
Começava mais cedo
O primeiro verão

sábado, 5 de maio de 2012

Adeus

Se os vivos dizem adeus
E a paisagem a vista se desmancha
Que fazer quando, insone,
O passado quer erguer monumento
E o que nem veio quer pedir alento no coração?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ela


Ela chegou de Vênus, saiu de órbita
Caiu em tua porta, colorida
E como de costume observaste
Com o teu olho mágico que vê em parte

Enquanto ela brilhava distraída
Julgavas saber tudo sobre os astros
Mas não sabias nada sobre ela
Inevitavelmente gravitavas

Cantaste tuas conquistas sobre-humanas
Numerosas idéias, emolduradas
Exibiste orgulhoso fotografias
Em sépia ou desbotadas, história pálida

Ela chegou de Vênus, colorida
Tirando-te do centro, distraída
E transformou tua coleção de espelhos
Em um caleidoscópio imaginário

sábado, 15 de janeiro de 2011

Em toda parte

Tudo o que pode fazer recordar
Um lugar, uma canção, um cheiro
Um bilhete, uma bagana no cinzeiro
A mensagem que não apaguei

Pode trazer o esboço do riso
Ou deixar os olhos mareados
Levar para longe no tempo e no espaço
Com olhos fechados ou mirando o vazio

Partilhamos, às vezes
Tornamo-nos cúmplices
Entre olhos sabemos
Elas estão aqui

Passar, guardar, querer estar
E às vezes querer também libertar-se delas
Quando são tiranas, incansáveis
E perturbam até o sono

Ai as lembranças...
Elas não dormem
São oníricas
E quando parecem repousar
Transportam-me para um tempo que não vivi

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alpargatas para recordar

Vou calçar minhas alpargatas para não esquecer que andei pelos (des)caminhos do extremo sul. As cordas vão estalar e meus pés irão transpirar. Bah! E o que importa? Não sou bagual ou prenda, mas prefiro que o calor derreta meus pés a deixar escapar as lembranças.

Larissa Medeiros
21/10/2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

PALAVRA PUNHAL

Foi para espalhar aos quatro cantos
Para que todos apontem, comentem, sintam pena
O grande público,
As cortinas escancaradas
O espetáculo

Olhem! Olhem!
As chagas em flor
Rubras e carnívoras
Devorando qualquer gota de felicidade
E todo esboço de sorriso que não seja nervoso

É para emudecer e recordar a dor mais aguda
O sabor mais ácido
Com o olhar petrificado e fosco
Como o de um pedaço de carne inerte e sem vida

Palavra punhal em seu grande ato
Que dilacera e mortifica
Que quer latejar e tirar o sono
Oferenda preciosa nesse dia sacro de compaixão
(28/09/2010)